Cada vez mais pessoas a precisar de óculos mas sem dinheiro para os comprar

A presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO) alertou esta quarta-feira, dia 11 de Outubro, para o aumento do número de pessoas que não usam óculos por falta de dinheiro ou que nem sequer vão às consultas por saberem que não poderão comprar óculos.

A declaração de Mara João Quadrado surgiu no âmbito do lançamento do Banco de Óculos, uma iniciativa promovida pela associação de solidariedade ABO, com o apoio da SPO, e que visa promover a recolha de óculos (armações e lentes) doados e a sua distribuição a pessoas carenciadas. A iniciativa é lançada amanhã (quinta-feira), Dia Mundial da Visão.

Segundo Maria João Quadrado, a iniciativa acontece numa altura em que se vive “uma necessidade premente” de óculos, da qual os oftalmologistas têm conhecimento nos seus consultórios, quando se apercebem que os doentes não compraram os óculos recomendados ou manifestam dificuldades em fazê-lo.

“Há muita gente que não compra os óculos, ou não vai ao médico porque receiam ter de comprar os óculos e não têm dinheiro”, afirmou, acrescentando ainda que esta é uma situação que se tem vindo a agravar, tendo-se intensificado nos últimos cinco, seis anos.

O risco desta falta de diagnóstico e do devido uso de óculos é maior nas crianças que, sem correção, podem ficar com defeitos permanentes na visão. “Nas crianças, é gravíssimo não usarem óculos quando precisam. É fundamental, caso contrário pode haver defeitos permanentes”, sublinhou.

A presidente da SPA enaltece os propósitos do Banco de Óculos que poderá fazer chegar óculos aos mais carenciados. O grande objectivo desta iniciativa é contribuir para o fim dos defeitos de refração em Portugal, disse.