Bundesinstitut für risikobewertung…

A história, segundo o sério jornal satírico Le Canard Enchaîné conta-se em poucas palavras. Recentemente, o Centro Internacional de Investigação sobre o Cancro lançou um grito alerta para os altos riscos cancerígenos advenientes da continuação do uso do glifosato – o nosso conhecido Roundup – que fez multibilionários os americanos da Monsanto.

Em imediata resposta aos cientistas internacionais, o Bundesinstitut Für Risikobewertung (Instituto Federal Alemão para a Avaliação de Riscos) elaborou um relatório negando os perigos do Roundup. Enorme coincidência: este documento surgiu no preciso momento em que a Comissão Europeia tinha de se pronunciar sobre a proibição ou autorização da comercialização daquele herbicida por mais dez anos.

A curiosidade era alguma: entre o relatório do Centro de Investigação sobre o Cancro e o documento do tal Instituto alemão, para que lado penderia a Comissão Europeia?

Sem surpresa, a decisão foi favorável aos interesses financeiros da multinacional Monsanto e no mais absoluto desprezo pela saúde dos cidadãos europeus!

Anedota macabra: o cientista austríaco Helmut Burtscher acaba de descobrir que o relatório pretensamente alemão no qual a Comissão Europeia baseou a sua decisão é da autoria da própria… Monsanto.

Eis assim a última ilustração da forma como as instâncias europeias tomam as suas decisões, sempre contra os cidadãos e sempre na defesa das empresas que um dia hão de enriquecer os decisores quando estes abandonarem a Comissão (lembremos os favorecimentos de Durão Barroso ao Lemon Brothers, que afundaram a Grécia mas que agora garantem ao mesmo Barroso um salário milionário para o resto da vida).

Na verdade, no completo silêncio da imprensa portuguesa, todos os dias, o polvo das estruturas políticas da União Europeia abre largas avenidas e estende passadeiras vermelhas ao capitalismo desenfreado; ao mesmo tempo, estreita e entorta as veredas das regulamentações que complicam a vida aos cidadãos comuns. Em matéria de negócios, matar os pobres para enriquecer os poderosos parece ser o lema destes políticos que ninguém elegeu. Algumas denúncias feitas na imprensa estrangeira nas últimas semanas ilustram, na perfeição, a “face negra” destes vendidos, que fingem, por exemplo, desconhecer o novo negócio de milhões do sushi industrial, que recheia este alimento para humanos com as mesmas substâncias usadas nos alimentos dos bovinos e dos porcos e que provocam a morte progressiva do córtex cerebral; que não tocam nos industriais do milionário negócio do pão de forma, atulhado de aditivos que são autênticas fábricas de diabetes, de úlceras e de cancros colorretais; que não tomam quaisquer medidas para obrigar o fabuloso negócio da charcutaria industrial (presuntos, chouriços, salsichas, etc…) a deixar de utilizar os nitritos de sódio – que aumentam o prazo de validade da charcutaria pré-fatiada e lhe mantêm uma bela e apetitosa cor, mas que fazem sementeira de tumores no colon. Isto sem falar já na autorização do tão lucrativo quão sinistro óleo de palma, que entra em quase todos os alimentos embalados e que liquida o nosso sistema cardiovascular, bem como nas pizzas industriais, feitas com queijo que não é queijo, mas uma nojenta mistela elástica que gera lucros fabulosos e as doenças aferentes.

Poder-se-á perguntar: como é que estes indivíduos não têm sentimentos de culpa perante tantas desgraças que fomentam e não acabam com os bilionários negócios, que provocam voluntariamente milhões de doentes? Ora! Exatamente porque, para haver negócios, é preciso fazer clientes; e porque cada doente é um cliente.

E se, como escrevia Balzac, “os negócios não assentam nos sentimentos”, então, pôr de lado os sentimentos e “fabricar” sofrimento tornou-se o maior de todos os negócios!