Bombeiros Voluntários de Cantanhede: 114 anos ao serviço da população

A bênção de quatro novas viaturas e a inauguração de um ginásio foram dois dos pontos altos das comemorações do 114.º aniversário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Cantanhede (AHBVC), assinalado no dia 30 de Outubro.

 

A festa incluiu igualmente uma pequena homenagem à Comissão de Festas de Lemede 2016 e aos benfiquistas da Tocha, pela doação de capacetes urbanos à corporação, e a entrega de lembranças às empresas sócias da AHBVC.

À Comissão Executiva da Expofacic 2016 e à Junta de Freguesia da Tocha coube a missão de apadrinharem as duas novas ambulâncias de socorro da corporação. Já Alcides Gomes Ferreira, de Cordinhã, e Artur Rodrigues Fernandes, de Cantanhede, foram escolhidos como padrinhos das novas ambulâncias de transporte múltiplo. O primeiro pela colaboração com a corporação, através da elaboração, a título gracioso, de refeições para os bombeiros durante a época de incêndios; e o segundo por ser o elemento dos órgãos sociais com mais tempo de actividade, 35 anos de dedicação aos Bombeiros de Cantanhede, num total de 15 mandatos.

Com estas quatro novas viaturas, somam-se 11 os veículos adquiridos no presente mandato pela actual direcção da AHBVC. No total, estas aquisições perfazem “o valor do imobilizado de mais de 481 mil euros, o equivalente a um pequeno corpo de bombeiros”, acrescentou Adérito Machado, presidente da AHBVC. De acordo com o responsável, “estes números exigem uma gestão rigorosa”, pelo que agradeceu o trabalho dos bombeiros e dos funcionários da Associação. Admitindo que “os cortes são um facto”, Adérito Machado sublinhou que “é com crescente responsabilidade que a Direção, Comando e Corpo de Bombeiros formam uma só equipa e se unem neste árduo e difícil combate sem tréguas” que é “manter a AHBVC bem equipada e com uma situação económica confortável”.

Do poder Central, o presidente da Direção da AHBVC lamentou “a falta de apoios”: “Com o fim do verão, as palavras foram como o fumo, não se voltando a falar de apoios financeiros, ajudas e projectos e muito menos financiamentos reais aos bombeiros, porque agora nada arde”, sublinhou.

Também o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, Jaime Marta Soares, se manifestou descontente com a posição do Governo, garantindo que a ausência de respostas às 15 reivindicações apresentadas recentemente em nome dos bombeiros levará a que estes se venham a alhear das solicitações da ANPC e do INEM para integrar os vários dispositivos operacionais articulados por estas duas instituições. “A ANPC tem os generais, mas o exército é composto por bombeiros”, frisou Jaime Marta Soares.

Entre as reivindicações em causa destacam-se o pagamento atempado às associações de bombeiros das despesas do Dispositivo de Combate a Incêndios Florestais (DECIF), o pagamento da dívida de cerca de 25 milhões de euros aos bombeiros por parte dos hospitais, centros e unidades locais do Serviço Nacional de Saúde, e a reposição das viaturas perdidas em combates a incêndios em 2015 e 2016.

De acordo com José Oliveira, comandante dos Bombeiros de Cantanhede em regime de substituição, o ano que está a findar ficará marcado na história da Associação por bons e maus momentos.

“Atingimos até à data o número recorde de 3.660 ocorrências, obrigando todos os operacionais a um enorme esforço e sacrifício”, acrescentou, salientando o “espírito de equipa, a dedicação e o profissionalismo” dos elementos do corpo de bombeiros, “prova viva da competência demonstrada enquanto corporação de bombeiros, em prol da comunidade e da missão para a qual fomos mandatados”.

Dirigindo-se ao presidente da Câmara de Cantanhede, José Oliveira destacou a necessidade na corporação de um veículo de combate a incêndios urbanos, uma vez que o único do género da corporação “já está ultrapassado no que diz respeito à sua operacionalidade” e se tem assistido à “expansão das zonas industriais de Cantanhede, Murtede, Febres e Tocha, com empresas com algum perigo”.

Já João Moura, presidente da Câmara Municipal de Cantanhede, mostrou-se satisfeito pelos “bons resultados” registados este ano no concelho de Cantanhede. Contrariamente ao que aconteceu no resto do país, “os incêndios florestais tiveram no concelho uma expressão reduzida”, o que, de acordo com o autarca, se deve à “aposta no reforço dos mecanismos de segurança e prevenção nas zonas florestais, no âmbito da estratégia definida pela Comissão Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios”.

Disse ainda João Moura que o “flagelo dos fogos em Portugal exige soluções cada vez mais integradas, através da articulação dos meios de várias corporações”, pelo que o Governo “deve financiar os meios necessários para essas operações”.