Biocant Park sempre a crescer

O Biocant Park não pára de crescer. Desta vez, o Parque de Biotecnologia de Cantanhede inaugurou o seu 5.º edifício, denominado Biocant III, no dia 19 de Abril, numa cerimónia que contou com a presença do Primeiro-Ministro, António Costa, que se fez acompanhar do Ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral; do Ministro da Ciência, da Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, e do Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues.

Entre autarcas, empresários e dirigentes de outros organismos e entidades da região, foram dezenas as pessoas que marcaram presença nesta inauguração, onde coube ao chefe do Governo descerrar a placa.

De seguida, António Costa e sua comitiva ficaram a conhecer as várias empresas sediadas no novo edifício do Biocant, os projectos ali desenvolvidos, assim como alguns dos investigadores, que assumiram ter escolhido Cantanhede “pelas condições ideais para desenvolver o seu trabalho”. Satisfeito com aquilo que viu, António Costa referiu-se ao parque de biotecnologia como “um excelente exemplo, que deveria ser replicado por todo o País”.

“O Biocant Park é o exemplo daquilo que é fundamental para o desenvolvimento do nosso País: a qualificação e a inovação. Acredito que o futuro e o crescimento de Portugal passam pela aposta na ciência e pela transferência de conhecimento”, afirmou António Costa.

Elogiando o trabalho desenvolvido por Cantanhede, o governante frisou ainda que “hoje, os municípios são, cada vez mais, os maiores motores do tecido económico e social dos seus concelhos” e que a prova-viva disso está no Biocant, “que através da ponte entre um município e duas universidades [Coimbra e Aveiro] criou uma plataforma que gera imenso valor”.

Já para João Moura, presidente da Câmara Municipal de Cantanhede e também presidente do conselho de administração do Biocant, o novo imóvel representa “mais um passo importante na evolução projectada para o Parque de Biotecnologia”.

“Creio poder afirmar que a realidade superou o que se perspectivava na origem, tanto mais que Cantanhede se tornou o polo nacional da Biotecnologia em Portugal”, frisou o edil.

 

Com todos os espaços já preenchidos, o Biocant III acolhe sete empresas, sendo que, segundo o autarca, “mais de metade das vagas são ocupadas por empresas de outros países”, o que “demonstra a confiança depositada na economia nacional”.

No final das intervenções, João Moura ofereceu a António Costa a versão fac-similada da Carta de Foral de Cantanhede e uma garrafa do vinho Foral Reserva 2009, da Adega Cooperativa de Cantanhede, o que gerou um momento de boa disposição, com o autarca cantanhedense a pedir a António Costa para dizer a Dijsselbloem  que em Portugal “há mulheres muito bonitas”.e o Primeiro-Ministro a garantir a João Moura que abrirá a garrafa “para brindar à saída do presidente do Eurogrupo [Jeroen Dijsselbloem]”.

Um caso de sucesso

Com 35 empresas e entidades instaladas, o Parque de Biotecnologia de Cantanhede é o maior polo de biotecnologia em Portugal, uma vez que concentra 40 por cento dos projectos que estão a ser desenvolvidos nesse sector.

Entre 2006 e 2015, o Biocant gerou cerca de 30 milhões de euros de retorno de impostos para o Estado e a perspectiva é a de que “este valor possa crescer nos próximos anos, por efeito do reforço do nível de integração de investimentos industriais vocacionados para a aplicação do conhecimento científico em várias áreas”, referiu João Moura, que para o futuro espera atingir uma meta ambiciosa: “Conseguir, até 2025 um volume de negócios que poderá chegar aos mil milhões de euros, maioritariamente na exportação de conhecimento, produtos e serviços de alto valor acrescentado”.

Durante o seu discurso, João Moura recordou o primeiro investimento do Biocant, superior a 25 milhões de euros, e que diz respeito a uma empresa industrial que produz um fungicida biológico a partir do tremoço e cuja produção se destina na totalidade à exportação. O autarca referiu ainda que, “muito brevemente entrará também em actividade uma grande unidade industrial do sector agroalimentar que corresponde a um investimento de cerca de 20 milhões de euros”.

Entretanto, está praticamente fechado o contrato para outro investimento, “também na ordem dos 20 milhões de euros, por parte de uma farmacêutica estrangeira que tem já contratualizada a venda de toda a sua produção para vários países da Europa”, concluiu João Moura.

Autor: Carolina Leitão