Biblioteca de Maia Alcoforado doada ao Município de Mira

Numa cerimónia singela, foi feita, esta quinta-feira (dia 14 de Junho), a doação simbólica da biblioteca particular de Maia Alcoforado à Câmara Municipal de Mira.

A doação foi realizada pelos netos do conhecido republicano, Carmina Paula Tavares dos Santos e Ulisses Paulo Tavares dos Santos, ao presidente do município, Raul Almeida, conforme vontade expressa dos falecidos pais, herdeiros de Maia Alcoforado.

No momento, Raul Almeida agradeceu a doação, enaltecendo os valores dos herdeiros em fazer valer a vontade dos falecidos pais e reconhecendo o valor de Maia Alcoforado como homem, político e intelectual tão estreitamente ligado a Mira.

Maia Alcoforado foi casado com Carmina Moreira da Silva, professora primária de Mira até ao final dos anos 60, tendo o casal adoptado como filha Ana Maria Pereira Tavares dos Santos que, anos mais tarde, casaria com o Ulisses dos Santos Reigota, herdeiros que manifestaram vontade em doar a biblioteca ao município.

Os herdeiros de Maia Alcoforado, conhecedores e apreciadores do talento e da obra do familiar, desde sempre valorizaram a sua biblioteca particular, compostas de obras emblemáticas da sua ideologia na geração em que viveu.

A biblioteca em questão ficará, depois de totalmente tratada e recuperada, disponível ao público na Biblioteca Municipal de Mira, enriquecendo, deste modo, a cultura gandaresa.

 

Sobre Maia Alcoforado

Maia Alcoforado é o nome por que ficou conhecido o republicano e antifascista José Francisco de Paula da Ressurreição Oliveira Maia Alcoforado, nascido em Panóias, localidade do concelho de Ourique a 2 de Abril de 1899 e falecido em Mira em Janeiro de 1974.

Maia Alcoforado veio residir para Mira na sequência do casamento com a professora primária  Carmina Moreira da Silva, tendo adoptado como filha Ana Maria Pereira Tavares dos Santos.

Em 1916 começou a trabalhar como jornalista no jornal “A Capital” e, ao longo da vida, colaborou com diversos jornais portugueses com relevo especial para O Século, O Primeiro de Janeiro e O Diário de Coimbra. Em Mira foi o director do jornal A Razão.

Com um percurso político revolucionário, manifestamente republicano e antifascista, esteve exilado em Espanha tendo acabado por ser preso, em Portugal, em 1932. Esteve preso pela PIDE entre 30 de Julho de 1937 e 17 de Julho de 1938.

Defendeu a participação de Portugal, e participou, na 1.ª Guerra Mundial tendo, por isso, sido condecorado. Por essa razão, em Mira, foi um dos responsáveis pela realização do Monumento aos Mortos da Grande Guerra.

Foi autor dos seguintes livros: “Cartas que Vogam” (1923),”Crónicas de Qualquer Dia” (1925),”Poalha Doirada” (1926),”Ílhavo Terra Maruja, Marujos da Terra dos Ílhavos” (1933), “À Boca Pequena…” (1935) e “A Corografia e o Desporto” (1946). Desempenhou funções na Fundação Calouste Gulbenkian, no sector das bibliotecas e da leitura.

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