Atenas: uma viagem às nossas raízes

A Grécia é um País fascinante, com uma História milenar e uma cultura marcante para toda a Humanidade, sobretudo para a dita civilização ocidental.

São muitas as semelhanças entre Portugal e a Grécia. Desde logo, são dois países com vocação e tradições marítimas. Tal como o português, o povo grego é simpático e hospitaleiro. A gastronomia é saborosa e variada, tem bons queijos, bons vinhos e excelentes azeites.

Tal como em Portugal, a economia depende sobretudo do sector dos serviços – que representa cerca de 80% do PIB e emprega 72% da população (com destaque para a marinha mercante e o turismo).

Aliás, o turismo é a principal fonte de receitas externas e o maior empregador do País.

O número de turistas ascende a cerca de 30 milhões por ano. Curiosamente, os visitantes portugueses não chegam a 20 mil por ano. O que é estranho, pois a Grécia é um excelente destino turístico, com preços semelhantes aos praticados em Portugal e com uma variedade enorme de pontos de interesse, desde os históricos até aos paisagísticos, passando pelos culturais e de lazer.

(Parece pertinente referir que ainda hoje há quem chame a Coimbra a “Lusa Atenas”, por ter sido, durante séculos, o centro do conhecimento e da cultura em Portugal – tal como a capital grega o foi, juntamente com Roma, para a civilização ocidental).

Muitos turistas demandam a Grécia em navios de cruzeiro, optando por viagens curtas pelas ilhas (a Grécia tem cerca de 2 mil ilhas, embora só 250 habitadas).

Mas há alternativas bem interessantes, como uma visita à Região de Ática, também conhecida como a Riviera Grega, onde fica situada a capital da República Helénica.

A Grande Atenas é a zona mais populosa do País: cerca de 4 milhões de habitantes (um terço da população grega). Atenas é uma cidade plana e extensa, onde predominam, por todo o lado, as marcas da Arqueologia, da História, da Cultura e da Arquitectura.

Mas não se pense que é apenas uma cidade-museu. Bem pelo contrário, tem também traços de uma harmoniosa modernidade, a ombrear com o que de mais avançado existe por esse mundo fora.

Um dos exemplos é o Centro Cultural da Fundação Stavros Niarchos, um espaço magnífico, que inclui os edifícios da Ópera Nacional e da Biblioteca Nacional da Grécia, um lago e extensos e belíssimos jardins. O projecto é da autoria do arquitecto italiano Renzo Piano (que, entre muitas outras obras emblemáticas em todo o Mundo, é autor do Centro Georges Pompidou, em Paris).

Tendo custado cerca de 700 milhões de euros, o conjunto ocupou o espaço de um antigo hipódromo, no extremo da Baía de Faliro, no Município de Kallithea (na área da Grande Atenas). Viria a ser inaugurado em 2016 e a assumir a forma de uma parceria público-privada, com a participação do Estado grego.
Com um programa cultural muito rico, completo e diversificado, o Centro Cultural recebe a visita de milhares de estudantes das escolas de toda a Grécia.
Trata-se de um conjunto arquitectónico impressionante, perfeitamente integrado no terreno e com uma deslumbrante panorâmica de 360 graus do cimo dos seus esbeltos edifícios. Sobe-se em elevadores de vidro, mas a descida pode (e deve!) ser feita a pé, através de suaves rampas relvadas, até aos jardins repletos de cadeiras verdes, que podem ser livremente mudadas de sítio pelos utentes.

Entre as muitas obras de arte espalhadas pelo Centro Cultural da Fundação Stavros Niarchos está um imponente conjunto de grandes esculturas, em bronze polícromo, alinhadas na margem do lago, da autoria de Sophia Vari. A escultora grega (nascida em Atenas há 78 anos), é casada com outro grande artista, o colombiano Fernando Botero (que conta 86 anos e é bem conhecido pelas características formas rotundas das suas esculturas).

O FANTÁSTICO MUSEU DA ACRÓPOLE

O local mais visitado de Atenas (e da Grécia) é a Acrópole, com o famoso Parthénon. Vale a pena o esforço da subida para apreciar este espantoso conjunto arquitectónico, que resistiu à passagem do tempo e das guerras.

Mas foi cá em baixo, ali bem próximo, que se ergueu aquele que, actualmente, é talvez o mais interessante local de Atenas e da Grécia: o Museu da Acrópole.

Em 1989, quando Melina Mercouri era Ministra da Cultura da Grécia, abriu um concurso para a construção de um novo Museu da Acrópole, uma vez que o antigo, junto ao Parthénon, era já pequeno e sem a exigível dignidade. Mas a descoberta de novas ruínas no local previsto para a construção obrigou a adiar a obra. No ano 2000 foi lançado um concurso internacional, sendo vencedor o projecto da autoria do arquitecto suíço Bernard Tschumi. E assim surgiu um magnífico edifício, feito de betão, aço e vidro, que custou 130 milhões de euros, com 25 mil m2, dos quais 14 mil m2 de área de exposição. Concluído em 2007, só abriria ao público em 2009, já que demorou dois anos a instalação das mais de 4 mil peças de diversas épocas que alberga.
O Museu recebe uma média de 10 mil pessoas por dia. O seu recheio é tão rico que a visita se torna mesmo obrigatória!

DA RELIGIÂO À ENOLOGIA

O povo grego continua a estar muito ligado à religião. Estima-se que 98 por cento da população professe a Igreja Ortodoxa (os católicos não chegam sequer a 1 %, muçulmanos e judeus devem rondar os 2%). Daí que haja um grande número de igrejas ortodoxas espalhadas por toda Grécia. Os templos ortodoxos não têm imagens de santos esculpidas, mas são ricos em pinturas, designadas por ícones (do grego “eikón”, que significa imagem). Em comum com as católicas têm as velas de cera para as promessas.

A Grécia está na origem, é a Pátria ou tem ligações a muito do essencial da nossa cultura – da música ao teatro, da poesia à filosofia. Mas igualmente da gastronomia – que também é cultura.
Começando pelo vinho, de que os portugueses têm o mais elevado consumo per capita a nível mundial, mas que começou a ser produzido na Grécia há mais de seis mil anos. A Grécia tem cerca de 250 variedades de uvas e algumas castas únicas no Mundo.
Tive oportunidade de visitar umas caves em Anavissos, a algumas dezenas de quilómetros de Atenas. O nome das caves é Strofilia e à sua frente está uma jovem enóloga, Maria, filha do proprietário, que nos falou dos seus vinhos com entusiasmo e paixão. Provámos o branco Savvatiano (um dos tais que só se produz na Grécia), que se revelou um néctar fresco, frutado e harmonioso, acompanhando na perfeição umas deliciosas empadas de queijo de cabra e vários enchidos. Outro vinho único na Grécia é o Retsina, produzido com a adição de resina de pinheiro, cujo sabor está longe de ser consensual.
Mas nem só nos vinhos a Grécia se distingue. Também proporciona uma saborosa dieta mediterrânica, onde avultam as saladas, os peixes, o azeite e as azeitonas (de muitas espécies e diversos sabores). E as frutas, com uma oferta variada até em bancas de rua, onde se vêem também carrinhos a vender sumos de frutas espremidas na hora.

MUITAS OPÇÕES PARA TURISMO

Para os que estiverem interessados em visitar a Região de Ática, e a sua diversidade (das praias às serras, dos monumentos e museus às ilhas), as opções de alojamento são muitas, para todas as carteiras e todos os gostos.

Há resorts de grande luxo, mas também pequenos hotéis familiares. Há restaurantes rústicos, mas outros sofisticados, com a cozinha a cargo de chefs reputados.

Mas há ainda outra opção interessante: os iates.

Na Grécia estão registados cerca de 20 mil iates e abundam as marinas para os fundear. Pois é possível fazer férias num desses iates, havendo várias empresas a isso dedicadas. Segundo o que apurámos, alugar um iate com piloto, por uma semana, para 6 pessoas, custa cerca de 3 mil euros, e permite visitar diversas ilhas na Região de Ática, proporcionando umas férias originais.

 

Jorge Castilho (em Atenas)

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