Associação António Fragoso recebe voto de louvor da Assembleia a República

Subscrito por todos os partidos com assento na Assembleia da República (AR), o voto de louvor à Associação António Fragoso foi votado por unanimidade, a 7 de Dezembro.

Em 2018 assinala-se o centenário da morte de António Fragoso e a Universidade de Coimbra (UC) associou-se às iniciativas “In Memoriam António Fragoso”, que durante todo o ano vão percorrer vários pontos do país e não só.

António Lima Fragoso nasceu em 1897 na aldeia da Pocariça, concelho de Cantanhede, distrito de Coimbra, e ali viveu os seus primeiros anos. A sua família, reconhecidamente culta – o único livro sobre a Pocariça foi escrito e editado pelo seu pai –, permitiu-lhe aprender cedo as primeiras letras e notas musicais. O seu tio, António Santos Tovim, médico em Cantanhede, ensinou-lhe a ler as pautas musicais e a tocar piano. Mais tarde, em 1907, foi para o Porto, para frequentar o Curso Geral dos Liceus. Ficou a residir na casa de um tio e padrinho, Professor Doutor José d’Oliveira Lima. É no Porto que frequenta o Conservatório e continua a estudar piano, com Ernesto Maia.

À medida que a sua música se ia dando a conhecer em múltiplos concertos, muitos foram os que a enalteceram – Lourenço Varela Cid, António Fernando Cabral, Fernando Botelho Leitão, Adriano Merêa, Oliva Guerra… João de Freitas Branco refere que entre as suas peças “se encontram páginas surpreendentes num compositor com menos de 21 anos”. Com base nos reportórios dos seus concertos, é possível afirmar que António Fragoso obrigatoriamente conheceu, detalhadamente, Schubert, Mendelsshon, Chopin, Schumann e Liszt, para além de César Franck, Brahms e Grieg. Todos os musicólogos que estudaram a sua música apontam ainda influências de compositores seus contemporâneos como Fauré, Rachmaninov e Debussy.

Desde 2009 que o estudo, a revisão, a edição e a difusão das obras musicais deixadas por António Fragoso são impulsionados pela Associação António Fragoso (AAF), que, sob a presidência de Eduardo Fragoso Martins Soares, tem desenvolvido um trabalho assinalável para o conhecimento de Fragoso e da sua obra, contribuindo ainda para perspectivar a relevância dessa obra no seu tempo.

“Neste contexto, a Assembleia da República formulou um voto de saudação à Associação António Fragoso, no momento em que esta assinala o centenário da morte do compositor, através de mais de uma centena de iniciativas culturais a realizar em cerca de quarenta localidades do território nacional e quatorze concertos no estrangeiro, divulgando ampla e dignamente o legado musical e literário de António Fragoso”.