Apresentação editorial de “Os Costumes”, de Manuel Cidalino Madaleno, nos Paços do Concelho de Cantanhede

“Os Costumes” é o título do quarto volume de “Construir a Memória da Região de Cantanhede”, extensa obra que Manuel Cidalino Madaleno tem vindo a produzir ao longo de oito anos, em resultado de um aturado trabalho de pesquisa de informação veiculada nos jornais e outras publicações desde finais do século XIX até aos finais do século XX.

O novo livro da coleção vai ser apresentado por Paulo Correia de Melo, professor de Português na Escola Secundária Lima-de-Faria, em Cantanhede, no decurso de uma sessão que vai decorrer nos Claustros dos Paços do Concelho de Cantanhede, no próximo dia 20 de Julho, pelas 21h30. O programa contempla ainda a projeção de fotografias antigas de Cantanhede e a atcuação do grupo de canto lírico da classe de canto da Escola de Música da Filarmónica de Covões.

A edição de “Os Costumes” surge no âmbito de um ambicioso projecto editorial de 10 volumes, dos quais já foram editados “Bases para uma História Política”, “A Religião, a Política e as Superstições” e “A Higiene e a Medicina”, todos pela editora Areias Vivas, com apoio da Câmara Municipal de Cantanhede.

O novo livro de Manuel Cidalino Madaleno incide em aspectos tão abrangentes como as questões de honra, o papel da mulher na sociedade, a dança e a sua nocividade moral, o amor, o beijo e a maledicência, bem como a linguagem, a moda e a frequência das praias, durante muito tempo consideradas como lugares pecaminosos.

Na contracapa da obra, Idalécio Cação interroga-se sobre o “que escreveriam agora nos seus jornais os autores desses modelos morais se, por um golpe de magia, voltassem de novo ao mundo?” E prossegue: “Se vissem as mulheres em biquíni e até em monoquíni, se as vissem a disputarem campeonatos de futebol, ou a guiarem um trator, ou a beijarem-se em público sem o mínimo pudor, ou a fumarem, ou a saírem sozinhas à noite e a juntarem-se com os homens para beberem uns copos? Com certeza que regressariam a correr para o mundo de onde vieram, antes que caíssem fulminados por algum raio da indignação.

“ (…) Reitero o mérito desta investigação singular, que é um notável documento histórico dos últimos cem anos da região de Cantanhede e ao mesmo tempo um repositório de dados sociológicos, que dá prazer compulsar”, afirma ainda.

Sobre “Construir a Memória da Região de Cantanhede”, a sinopse da coleção refere que se trata de “um aturado trabalho de pesquisa da riquíssima mas ainda pouco estudada História de Cantanhede e da sua região nos últimos 150 anos.

Em dez volumes temáticos, o autor delicia os leitores com textos de grande vivacidade, ao mesmo tempo sérios e divertidos, profundos e descontraídos, com base em transcrições de notícias e de análises ora ponderadas, ora hilariantes; ora dramáticas, ora jubilosas.”

Por eles desfila a imensa variedade de personagens de um povo forjado de todos os temperamentos, onde se amalgamam laboriosos e mandriões, proletários e burgueses, famintos e cevados, incultos e sábios; pacíficos e violentos; solidários e avarentos; boçais e corteses; crédulos e pirrónicos; ingénuos e maliciosos; embezerrados e pândegos”.