Ai navegar, navegar…

Nunca a Humanidade teve, como agora, acesso à informação.

Temo-la na ponta dos dedos, estejam eles a pisar os botões de um teclado ou a deslizar sobre o écran de um smartphone.

Seria de esperar que nos sentíssemos mais iluminados, mais conhecedores, mais inteligentes… Numa palavra, mais informados.

Mas não nos sentimos. E, sobretudo, não estamos.

Nunca estivemos tão longe da verdade. Ou, pelo menos, nunca estivemos tão longe de saber onde está a verdade.

Isto porque as fontes de informação são tantas e tão diversas que é virtualmente (palavra adequada) impossível verificar a sua idoneidade, quanto mais a sua veracidade.

Como conseguimos filtrar a boa da má informação, a verdadeira da manipulada por ideologias ou interesses, quando ela nos chega em quantidades industriais, mesmo quando estamos distraídos, nos rodapés dos noticiários e na cronologia do Facebook? A informação é imensa.

Tanta que todos nós estamos habituados a surfar, a navegar nesse oceano de informação disponível para todos (ou quase). A dificuldade é mergulhar no seu âmago, esventrá-la e desmontá- la.

Acariciamos a verdade, sem nunca a sentirmos verdadeiramente. Lambemos a realidade dos acontecimentos, sem nunca conseguirmos sentir-lhe verdadeiramente o sabor.

Estamos habituados a ler apenas “as gordas”, a fazer “zapping” nos canais de notícias, no conforto da ignorância, no aconchego de ter conhecimento suficiente do real (ou de uma qualquer realidade construída) para podermos discutir a “actualidade” com os amigos, à mesa do café, ufanos donos da verdade da moda ou da época, acabadinha de pescar enquanto se navega na Internet.

E isto chega para a maioria, não fossemos nós descendentes de navegadores…