A importância da Província

Abre hoje, em Cantanhede, mais uma edição da Expofacic, que é já reconhecida como a maior e mais importante feira do seu género que se realiza em Portugal.

A Expofacic conquistou essa liderança por mérito próprio, graças ao dinamismo e criatividade dos seus organizadores ao longo de 26 anos, mas também à franca adesão de centenas de expositores das mais diversas áreas, de todo o País e até do estrangeiro (aliás, há uma longa lista de espera, com muitos interessados a ficar de fora, por não haver lugar para mais).

Ao longo de 11 dias (e outras tantas noites) o número de visitantes desta 26.ª edição da Expofacic – Exposição Feira Agrícola, Comercial e Industrial de Cantanhede, deverá rondar o meio milhão, Não vou aludir aqui ao rico e diversificado programa da feira-festa, pois ele está publicado, com detalhe, noutra página desta edição).

Apenas quero repetir, e sublinhar, que a maior exposição-feira do País se efectua em

Cantanhede, uma pequena mas histórica cidade do distrito de Coimbra, do Centro do

País, “da província” – como dizem, depreciativamente alguns residentes da capital, que continuam a considerar que “Portugal é Lisboa e o resto é paisagem”.

Mas é também aqui “na província” e no Centro de Portugal, que fica a praia que, em todo o Mundo, há mais anos conquista a Bandeira Azul. Refiro-me à Praia de Mira, que há 30 anos consecutivos se vê distinguida com este galardão que atesta a respectiva qualidade. Um galardão atribuído, aliás, a outras praias da Região.

Poderia citar dezenas e dezenas de outros exemplos, que atestam a importância “da província”, da saúde à gastronomia, da investigação de ponta à enologia, do ensino ao desporto. Mas limito-me a um outro, por ser, talvez, o mais eloquente: o Centro de Portugal foi eleito como o destino preferido para os agentes de viagens europeus para o próximo ano. Assim, a Turismo do Centro de Portugal assinou um protocolo com a Confederação Europeia das Associações de Agências de Viagens e Operadores Turísticos Europeus (ECTAA), através do qual esta Região fica definida como ‘Destino Preferido do Ano da ECTAA’, em 2017.

Para se avaliar da importância deste reconhecimento, bastará dizer que a ECTAA integra as associações nacionais de agentes de viagens e operadores turísticos de 27 Estados-membro da União Europeia, dois Estados-Candidatos e da Suíça e Noruega. No seu conjunto, representa mais de 80 mil agências de viagens e operadores turísticos.

Ou seja, serão muitas centenas de milhares de turistas que no próximo ano vão aumentar ainda mais o já notável fluxo de estrangeiros que visitam esta Região e, a partir dela, outros pontos do País, com todas as vantagens daí decorrentes – e particularmente relevantes numa altura em que o País ainda não saiu da crise em que se viu mergulhado nos últimos anos.

É bom que os responsáveis que estão nos centros de decisão na capital atentem nestas realidades e passem a reconhecer a estas terras “da província” a importância que elas verdadeiramente têm, concedendo-lhes os meios indispensáveis para aproveitar as suas potencialidades – e, assim, melhor poderem contribuir para o desenvolvimento do País.

TERRORISMO E SENSACIONALISMO

Os actos terroristas vêm-se sucedendo, a um ritmo tremendo e com características inéditas e surpreendentes nas formas que assumem e trágicos nos balanços de vítimas deles resultantes. Os noticiários, sobretudo os das televisões, dedicam horas e horas a este tema, repetindo imagens chocantes até à exaustão.

Ora quanto maior for o destaque que os meios de comunicação social concedam aos actos terroristas e às suas consequências, mais os autores e os mentores desses actos estarão a atingir os seus objectivos.

O terrorismo alimenta-se, sobretudo, dos reflexos mediáticos dos seus actos.

Obviamente que não se pode – nem deve! – ocultar a ocorrência de atentados bárbaros como o do camião em Nice e todos os outros que se lhe seguiram.

Mas coisa diferente é ver os órgãos de comunicação social a dedicarem horas a fio a este tipo de acções, dando uma enorme visibilidade a quem as pratica – assim lhes concedendo o protagonismo por que anseiam, assim os ajudando a espalhar o medo, como pretendem.

E, pior ainda, quando alguns órgãos de comunicação social, atropelando elementares regras deontológicas, divulgam (desnecessariamente!) imagens de uma enorme violência, exibindo os corpos destroçados das vítimas – o que só serve para alimentar o “voyeurismo” mórbido e amplificar, de forma brutal, os objectivos dos terroristas.

Neste difícil e complexo combate contra o terror, a comunicação social deve reflectir sobre o seu papel, de forma a evitar os excessos e os desvios éticos – que, objectivamente, são o principal estímulo para a ocorrência de mais e mais cruéis actos terroristas, nesta “aldeia global” de cada vez mais desumana…

Autor: Jorge Castilho (Director do Jornal AuriNegra)