A estrela mais próxima da Terra tem um exoplaneta na zona habitável

Um grupo de investigadores anunciou esta quarta-feira, 24 de Agosto, que encontrou um planeta a orbitar a Proxima Centauri, a estrela mais próxima do Sol e uma das estrelas de baixa massa mais bem estudadas. Os resultados desta descoberta foram publicados na revista científica Nature.

Este exoplaneta (planeta fora do Sistema Solar), chamado Proxima b, encontra-se na zona habitável da estrela, ou seja, numa região com condições favoráveis à existência de água no estado líquido, um elemento fundamental à existência de vida tal como a conhecemos. Nas semelhanças com o planeta Terra tem o seu tamanho, cerca de 1,3 a massa do nosso planeta, como estimam os investigadores (embora possa ser muito maior).

Já as diferenças estão sobretudo na distância à estrela: oito milhões de quilómetros – contra os 58 milhões de km que separam o Sol de Mercúrio ou os 150 milhões de km que separam a Terra no nosso astro. Esta pequena distância também pode justificar uma translação à volta do sol muito mais rápida: 11,2 dias.

A Proxima Centauri não é uma estrela muito quente, chegando apenas aos 2.776,85 graus Celsius, e também não é muito brilhante – tem cerca de 0,15 por cento da luminosidade do Sol. A estrela tem 14% do raio do Sol e cerca de 12% da sua massa. Portanto, apesar de estar relativamente próxima da Terra – a 4,22 anos-luz [cada ano-luz são cerca de 9,5 biliões de quilómetros] –, não é visível a olho nu.

O mais incrível desta descoberta não é ser um planeta na zona habitável de uma estrela, mas o facto de ser o planeta na zona habitável mais próximo da Terra, disse Guillem Anglada-Escudé, astrónomo na Universidade de Queen Mary, em Londres, e primeiro autor do estudo,citado pelo The New York Times.

A equipa internacional de astrónomos, liderada por Guillem Anglada-Escudé, da universidade britânica Queen Mary, em Londres, crê que, a existir água líquida no Próxima b, tal seria nas regiões mais quentes do planeta.

Um dos cientistas envolvidos na descoberta, James Jenkins, da Universidade do Chile, disse à Lusa que a equipa pretende “procurar evidências da atmosfera” de Próxima b e, a confirmar-se a sua existência, estudar a sua composição e “procurar traços de água ou outras moléculas, e finalmente vida”.