“A bicicleta do ourives ambulante” é o novo romance de Silvério Manata

“A bicicleta do ourives ambulante” é o mais recente romance do escritor e empresário Silvério Manata, o vencedor do prémio literário João Gaspar Simões 2015, instituído pelo município da Figueira da Foz.

O romance premiado desenrola-se em dois espaços territoriais distintos (a zona da Gândara e o Alentejo), sendo o protagonista um ourives ambulante, à semelhança dos que saíram de Cantanhede – principalmente de Febres – e de Mira com destino a várias localidades portuguesas.

Como refere a contracapa da obra, “A bicicleta do ourives ambulante” trata-se de um “romance a duas vozes – a do gandarês que trocou a enxada, com que se estreara na Ribeira do Sado, pela mala verde de folha-de-Flandres e a da alentejana que largou a foice e se fez professora primária – em que se cruzam vidas e se aproximam geografias distintas”.

A capa do livro é um arranjo gráfico de uma pintura, que o escritor tem em casa, da autoria do seu amigo Zé Penicheiro, já falecido.

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Natural dos Carapelhos (Mira) mas a residir há vários anos em Grândola, no distrito de Setúbal, Silvério Manata licenciou-se em Português/Francês e durante anos foi professor, profissão que deixou para se dedicar à ourivesaria.

Pelo meio foi descobrindo a paixão pela escrita, tendo já publicadas cinco obras. “A matriz da minha escrita é, sem dúvida, a Gândara”, referiu ao AuriNegra o autor, explicando como surgiu a ideia de escrever este último livro:

“Por meados da década de 50 do século XX, enquanto muitos gandareses, albardados de foice e enxada, procuravam no Alentejo o sustento que lhes minguava nas areias da região, outros – os ourives ambulantes – tentavam a sorte pelos mais ignorados recantos de Portugal. Que eu saiba, o tema dos homens que partiram daqui montados numa bicicleta com uma mala de folhade-flandres a caminho do Alentejo ainda não tinha sido abordado em romance pelos ilustres escritores da Gândara. ‘A bicicleta do ourives ambulante’ nasceu, pois, da vontade de registar este modo de vida gandarês e do desejo de homenagear os audazes ourives ambulantes”.

Embora também ele seja um gandarês a viver há vários anos no  Alentejo, Silvério Manata refere que o livro nada tem de autobiográfico. “Ainda que leve muito a sério a bicicleta – desporto que pratico com afinco – nunca puxei por uma pedaleira que tivesse acoplada uma mala de ourives. Contudo, a minha actividade profissional dos últimos anos proporcionou-me o privilégio de conhecer a geração de ourives que  começou na ambulância com uma bicicleta a pedal”.

Em relação à distinção que a obra recebeu, Silvério Manata não poderia estar mais satisfeito:

“Receber o Prémio João Gaspar Simões, um dos nomes mais importantes e influentes do mundo das letras do século XX, é uma honra. Um prémio, não há como negá-lo, fortalece a autoestima do autor e também o encoraja a continuar pela aventura da escrita”.

Numa nota de imprensa, a autarquia figueirense afirma que o trabalho de Silvério Manata “retrata um interessante período da nossa história colectiva” e que o júri do prémio bienal, instituído em 2009, “considerou que a obra destacada revela uma notável riqueza de vocabulário e uma apreciável qualidade narrativa”.

Criado em 2009 pela Câmara Municipal da Figueira da Foz com o objectivo de incentivar a criação literária e homenagear o escritor, editor e tradutor João Gaspar Simões, este prémio é atribuído de dois em dois anos e já distinguiu autores como Mário Fernando Silva Carvalho (por o Primo Aprendiz – História de um carbonário) e António Breda Carvalho (por o Fotógrafo da Madeira).