655 processos-crime por maus-tratos a animais em 2015

 

Os detentores de animais de companhia têm recorrido a “formas mais insidiosas” de os matar, principalmente desde a criminalização dos maus tratos e do abandono dos animais, refere um elemento da Guarda Nacional Republicana.

Ricardo Alves, chefe da repartição da natureza e ambiente do Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente da Guarda Nacional Republicana (SEPNA) da GNR, falava à agência Lusa, citada pelo jornal Público, à margem da conferência sobre a lei da criminalização de maus tratos a animais, organizada pelo partido PAN – Pessoas, Animais, Natureza, que decorreu esta terça-feira, 12 de Abril, na Assembleia da República.

De acordo com o militar, desde a criminalização dos maus tratos e abandono dos animais, que entrou em vigor em Novembro de 2014, este serviço tem detectado “formas mais insidiosas” dos detentores matarem os seus animais, “de forma a que tenham menos pena do resultado praticado”. “Uma delas é a utilização de produtos tóxicos”, afirmou.

O major Ricardo Alves acrescentou que “sempre que há criminalização, há sempre um aperfeiçoamento das práticas”, e que, muitas vezes, os detentores de animais recorrem a “produtos de livre acesso, até porque os deitam nos seus terrenos para efeitos de fertilizantes” e utilizam-nos nos animais “quando se querem ver livres” deles.

“Na mente dos detentores está inerente uma situação de impunidade. Contudo, o nosso trabalho de investigação (…) muitas vezes consegue identificar uma correlação e nexo de causalidade entre efeito e a prática da utilização do tóxico”, adiantou. Desta forma, as autoridades conseguem “muitas vezes provar quem é de facto o suspeito desse mesmo crime”.

De acordo com o major Ricardo Alves, o SEPNA, em 2015, registou 3.816 denúncias de maus tratos a animais. Nesse mesmo ano foram registados 655 crimes: 460 de maus tratos e 195 de abandono de animais, tendo sido identificados suspeitos de 381.

Também presente na conferência, o director de operações da Direção Nacional da PSP, Luís Filipe Simões, lembrou que esta força de segurança recebeu 728 denúncias em 2015. No primeiro trimestre deste ano, foram já registadas 196 denúncias, quando o período homólogo de 2015 tinha registado 101 denúncias.