25 de Abril celebrado com palestra sobre museus e cultura

Os 42 anos da revolução do 25 de Abril de 1974 foram celebrados em Cantanhede numa cerimónia especial, que teve como ponto alto uma conferência proferida por António Filipe Pimentel, director do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), em Lisboa.

Durante a tarde de 25 de Abril, o Salão Nobre da Câmara Municipal de Cantanhede abriu as suas portas para se falar de liberdade mas também da importância da cultura.

António Filipe Pimentel, director do MNAA, foi o convidado escolhido pelo município para dar a conhecer a temática “Os Museus no Mundo Contemporâneo”, que teve como intuito exaltar os aspectos que melhor caracterizam o desenvolvimento cultural e artístico em Portugal, ao longo das últimas quatro décadas, assim como as lições que daí podem ser retiradas para construir o futuro.

Após os discursos habituais do presidente e dos líderes das bancadas da Assembleia Municipal e de uma breve actuação do Coro Juvenil de Cantanhede “Cantemus”, António Pimentel iniciou a sua intervenção, referindo-se aos museus como “verdadeiras cápsulas do tempo”. São espaços onde o passado se preserva mas que se mobilizam também em função do presente.
“Mais do que nunca, os museus servem como forma de ligação das comunidades à sua identidade pessoal mas também colectiva”, destacou o também professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Quanto ao convite para participar na cerimónia dos 42 anos do 25 de Abril, António Pimentel referiu ser um privilégio: “É com muito prazer que aceitei estar esta tarde em Cantanhede, uma cidade com sentido de progresso e que mostra que a democracia está viva”.

O director do MNAA recordou, neste sentido, que o município cantanhedense foi o primeiro a “abraçar” a campanha de angariação de fundos para a compra do quadro Adoração dos Magos, de Domingos Sequeira.

“Cantanhede foi o primeiro município a contribuir para a campanha, que está a poucos dias de um desfecho feliz. Foi um verdadeiro pioneiro e deu um contributo de grande importância e simbolismo. Embora a doação não tenha gerado o ‘efeito dominó’ à escala esperada, vários municípios seguiram o exemplo de Cantanhede e isso é de louvar”.

João Moura aproveitou a ocasião, e também o tema da conferência, para reiterar que “em Cantanhede entendemos a cultura como um factor estruturante do desenvolvimento e, nessa medida, trata-se de um sector devidamente valorizado no quadro de políticas integradas e favoráveis à dinamização cultural das comunidades”.

“A autarquia aposta no apoio financeiro aos agentes culturais locais, subsidiando a sua actividade regular” frisou o edil, destacando ainda a actividade desenvolvida nos três equipamentos estruturantes de que o Município dispõe no sector da cultura: a Biblioteca Municipal, a Casa Municipal da Cultura e o Museu da Pedra.

No final, servindo-se como referência da iniciativa do MNAA “ComingOut” (que levou para as ruas de Lisboa algumas réplicas de obras de arte de renome), o autarca aproveitou para lançar um desafio a António Pimentel: “Traga o Museu às ruas de Cantanhede”.

N.R.: Entretanto, anteontem (quarta-feira), 27 de Abril, o director do MNAA anunciou ter já sido ultrapassado o valor de 600 mil euros, necessários para a aquisição da obra